15 de dezembro de 2011

Scorcese & Harper's Bazaar | Retrospectiva


Keanu Reeves e Chloe Moretz na retrospectiva de Taxi Driver


Christina Hendricks e Jack Huston em Gangs of New York


Vicent Piazza, Michael Pitt e Ben Kingsley recordando Goodfellas


Aviator re-interpretado por Alessandro Nivola e Emily Mortimer


Kate Boshworth como Michelle Pfeiffer em A Idade da Inocência


Emily Blunt re-interpretando Alice de Alice Doesn't Live Here Anymore

Kill Bill 2 | Poster

Edward Scissorhands | Décor

O filme de 1990 em que Tim Burton fez uma geração render-se a um Frankenstein da era moderna ainda hoje é uma marco na história do cinema. Toda a narrativa de Tim é sempre acompanhada de uma atmosfera envolvente que acaba por contar mais das suas histórias que os diálogos em si. Este filme é um óptimo exemplo daquilo que o realizador melhor faz.
Diracção artística | Tom Duffield
Design | Bo Welch
Decoração de Set | Cheryl Carasik






















17 de novembro de 2011

Me and You and Everyone We Know

Filme de 2005 escrito, realizado e protagonizado por Miranda July, segue os contornos de uma comédia romântica dramática.


Christine tem um emprego que não preenche na totalidade as suas vocações: é motorista de idosos mas anseia por ser reconhecida como artista audiovisual. Num dos seus passeios com um dos idosos que costuma acompanhar conhece Richard (John Hawkes), um recém separado que trabalha numa sapataria. Ele acaba por lhe vender umas sabrinas que protagonizarão um importante papel ao longo da trama. Inevitavelmente Christine apaixona-se por Richard. Ela uma extravagante artista que se deixa levar pela imaginação, ele um homem perturbado pela separação e tentando provar que é um bom pai.



Mas não é só destas duas personagens que Me and You and Everyone We Know é feito, temos os filhos de Richard, Peter (Miles Thompson) e Robby (Brandon Ratcliff) que se encontram em diferentes fases de descoberta e crescimento, Heather (Natasha Slayton) e Rebecca (Najarra Townsend) duas adolescentes ansiosas para iniciarem a sua vida sexual, Sylvie (Carlie Westerman) uma menina que com tenra idade já sonha com a sua futura casa efamília, comprando objectos para o seu enxoval, uma quase despercebida curadora de arte que acaba por ser um dos pontos altos do filme.



O conteúdo sexual em redor de crianças e pré adolescentes poderia chocar, mas tudo foi tão bem trabalhado que as cenas fluem com leveza, mesmo se tratando de temáticas tão complicadas. Os diálogos são preciosos, com destaque às conversas que os filhos de Richard têm num chat com uma desconhecida, as gravações de Christine para os seus vídeos artísticos e as suas conversas algo surreais com Richard. A fotografia está exímia, abordando-se a vida de todas as personagens tal como é, sem subterfúgios, indo directamente ao encontro do que se quer e deve ser contado. Não se perde tempo em planos monótonos que nenhuma história transmitem.



Um menos para abanda sonora, que como pano de fundo não resultou tão bem como o pretendido, dando alusão a momentos de tensão quando não se justificaria.

Não consegui resistir ao excelente design gráfico dos cartazes e capas de DVD e CD, por isso, mostro-vos aqui mais alguns exemplos...


A estreia de Miranda July é magistral, mostra-nos uma beleza única e real através de um retrato de uma comunidade vizinha. O retrato da minha vida, da tua e da de todos aqueles que conhecemos.

16 de novembro de 2011

Ondine

Ondine é um filme de Neil Jordan que data o ano de 2009. A trama passa-se na Irlanda actual e tem Colin Farrel e Alicja Bachleda como protagonistas.


Contado como um conto de fadas do século XXI, onde Syracuse (Farrel) é um azarado pescador a quem a vida tem sido madrasta: tornou-se alcoolico, deixando o vício e separando-se da mulher, também alcoolica, para cuidar da sua filha Annie (Alison Barry) que sofre de insuficiência renal.


Num dia de pesca comum, o pescador depara-se com uma misteriosa mulher na sua rede, da qual cuida e promete que ninguém saberá da sua existência. A partir desse instante a sorte de Syracuse muda, começando a capturar mais peixes devido à presença e ao canto da misteriosa mulher, Ondine (Bachleda). A princípio o pescador apenas partilha a sua história com a filha, fingido ser mais um dos contos de fadas que lhe costuma inventar. Mas Annie não é uma criança comum, sendo suficientemente inteligente para compreender que a história é real. Assim, a menina pensa que a misteriosa mulher não é mais que uma selkie. Selkies são mulheres dos mares na mitologia escocesa, que têm o dom de tornarem tudo melhor, logo Annie pensa que Ondine tem poderes mágicos que podem melhorar a sua vida e a do seu pai.



A partir do momento em que Ondine começa a ser descoberta pelos nativos da ilha, a escuridão assombra esta história, mudando bruscamente o decorrer de toda uma história bela e luminosa. As problemáticas sociais são quase esquecidas devido à abordagem leve que Neil lhes concedeu, e tal não é tido como despreocupação, mas sim como evidência do principal enfoque: modernizar uma lenda e mostrar o amor das três personagens centrais. Posso até considerar a abordagem ao tráfico de narcóticos algo inesperada e desadequada, ou simplesmente tida como quebra da narrativa fantasiosa vista até então.



As imagens foram captadas pelo director de fotografia Christopher Doyle, que ora nos transmite toda a leveza de uma paixão inesperada, como as trevas de um desconhecido ilusório, tudo isto num jogo de luz e sombra muito bem conseguido. Obviamente que as paisagens verdejantes e marítimas das ilhas irlandesas ajudaram em muito, mantendo-se ao longo do filme um registo de terra pouco explorada industrialmente pelo homem, mantendo assim uma aura mística.


Destaque para a banda sonora que fica explicitamente a cargo de Sigur Ros e para o guarda roupa que determinada inteiramente a personalidade das personagens.