18 de dezembro de 2012

Neo Lolitas

Lolita de Kubrick (1962) é o grande clássico de histórias que falam de envolvimentos entre adolescentes e homens maduros.Na altura, Sue Lyon de 16 anos desempenhava o papel principal, dois anos mais nova, Dolores era a aluna que encantou o seu professor, James Mason.
As reminiscências ao fruto proibido são óbvias, derivadas de uma mente pedófila e de insinuações sexuais por parte da menina.

 
 
Sue Lyon


Em 1996 surge uma adaptação da obra de Kubrick, desta vez sob a direcção de Adrien Lyne. Novamente uma actriz de 16 anos, Dominique Swain, se encarrega da personagem Dolores o que nos leva a crer na vontade de colocarem verdadeiras adolescentes como alvos controversos da moral e dos bons costumes. A personagem deixa de o ser para ser real, numa tentativa de aproximação à mensagem pretendida. Mas porquê colocar adolescentes a desempenhar papéis de tão pesado cariz sexual, defronte a uma plateia que tem juízo de valor?

 Dominique Swain


Em American Beauty de Sam Mendes (1999) Mena Suvari é Angela, melhor amiga da filha de Lester- Kevin Spacey.

 
 
Mena Suvari


Mini's Firs Time de 2006 mostra-nos Nikki Reed no papel de uma enteada dissimulada e rebelde que por caprichos é capaz de tudo, até mesmo de seduzir o seu padrasto, Alec Baldwin. Nikki tinha 18 anos quando interpretou este papel.


Nikki Reed

8 de dezembro de 2012

Escolhas de Ermy

A escolha de Ermy Silva, estudante de Design de Moda não é por um filme em si, mas sim a observação do crescimento de dois actores de Hollywood. A comparação é entre Tobey Maguire e Leonardo DiCaprio: começaram ambos a carreira cedo, mas, na opinião de Ermy, seguiram percursos distintos no que toca à arte de representar.




This Boy's Life

Nos primórdios das suas carreiras, Leo destacou-se em The Basketball Diaries (1995) enquanto Tobey estrelou This Boy's Life (1993) ao lado de Leonardo no papel principal. Sendo que em ambos os filmes DiCaprio é exímio nos seus papéis, mesmo sendo bastante novo na época, Maguire apresenta-se apático em todo o filme. Ermy acha que em contraste com Leonardo, que, contracenando com De Niro consegue não permanecer na sombra, Maguire não demonstrou grande brilho e assim permanece até hoje. Algo que advém da sua forma de representar, não só das escolhas de papéis.  DiCaprio tanto consegue fazer os papéis que Hollywood lhe exige como aqueles de produções indie, mostrando o seu amor ao cinema e dedicação à arte de representar, dando credibilidade a diferentes indivíduos que saltam para fora do ecrã com imensa veracidade. Tobey não representa com a mesma credibilidade, fazendo-nos duvidar da "humanidade" das suas personagens.



Basketball Diaries

19 de novembro de 2012

Les Emotifs Anonymes

 O filme de Jean-Pierre Améris data o ano de 2010 e tem como estrelas principais Benoît Poelvoorde e Isabelle Carré. Ele é dono de uma chocolataria em falência e ela uma doceira que se candidata ao posto de chefe de vendas, por engano. O que têm em comum para além do amor ao chocolate? Os dois são "Emotivos", incapazes de controlarem as próprias emoções e donos de uma grande timidez.




Comédia leve, mas em nada preguiçosa, como tantas comédias-românticas o são... O ambiente ser em volta de uma chocolataria em falência, que necessita urgentemente de uma reviravolta miraculosa, poderia tornar o filme num lugar comum, mas são as características do casal que tornam tudo quase irreal. Os dois com problemas emocionais que os levam a agir de formas inusitadas e caricatas demais para ser real. O ambiente da chocolataria torna-se assim quase fantástico, sobretudo quando nos deparamos com cenas musicais ou de degustação de inspiradoras iguarias. O cariz naive  desta obra enternece quem vê se estiver em disposição para tal, mas enjoa aqueles mais cépticos em relação a utópicos contos de fadas.




Destaco o guarda-roupa, que valoriza o classicismo parisiense,  embora com um twist que confere às personagens gosto individual e modernidade. Com um casal tão apegado às emoções dever-se-ia fazer exactamente isto: brincar com detalhes do guarda-roupa para dar vida a looks tão predefinidos.







Los Abrazos Rotos

 Destaco mais uma película de Pedro Almodóver, desta feita, Los Abrazos Rotos, de 2009, com a musa do realizador, Penélope Cruz no papel principal, como Lena.


Lena é uma comum secretária quando se vê pressionada para ajudar financeiramente o pai à beira da morte e a mãe- Ángela Molina, mudando-se para casa do patrão, Ernesto Martel- José Luis Gómez- e vivendo faustosamente. Os dias de socialite começam a causar-lhe fastio e volta à conquista do antigo sonho de se tornar actriz. Assim conhece Mateo-Lluís Homar, um realizador que rapidamente se apaixona perdidamente. Ernesto torna-se produtor do filme e responsabiliza o filho-Rubén Ochandiano- a filmar todo o desenrolar de bastidores, para assim poder controlar Lena.






Vemos o filme da perspectiva de Mateo que narra a sua história a Diego- Tamar Novas, seu assistente e filho da amiga e colega de trabalho Judit- Branca Portillo. A acção passa-se em modo thriller, sem a leveza de espírito dos antigos filmes de Almodóvar; embora se trate de um suspense quase perceptível a um espectador minimamente atento...

As personagens estão sempre presentes no passado e presente nos quais a trama se desenrola, envolvendo-se substancialmente na história. Ou seja, Almodóvar não cria personagens desnecessários apenas para "encher" o ecrã, cria um núcleo coeso em que cada uma desempenha parte activa do enredo. (Tirando uma ou outra cena algo desnecessárias passadas na discoteca onde Diego trabalha...)



Gosto de Almodóvar pela sensação de alegria triste que transmite nos seus filmes, uma melancolia de cores garridas, de cheiros quentes e diálogos crus, como se todos os comuns mortais tivessem ganas de falar abertamente de tudo com os seus próximos, de se despirem de alma e revelarem claramente os seus intentos, desejos, preocupações. 

Um dos planos mais inspiradores do filme


 A mim o realizador nunca desilude, sendo que por norma vejo filmes dele "salteados" e não cronologicamente.  Neste tipo de acompanhamento do trabalho de um autor pode-se verificar mais facilmente características em comum entre filmes. É o caso do Gaspacho, elaborado com amor/ódio para uma personagem que dá pelo nome de Ivan (no caso de Los Abrazos Rotos este é fictício), e minado com soníferos. Mas nem em LAR, nem em Mujeres al Borde de Un Ataque de Nervios, estas características são fundamentais para o enredo. São mais como especiarias que dão o aroma certo às belíssimas imagens do espanhol.

Lena no set de gravações, preparando o gaspacho



Imagens de Mujeres al Borde de Un Ataque de Nervios

14 de outubro de 2012

Linhas de Wellington





Fui uma das portuguesas que se dirigiu aos cinemas para ver este filme, fazendo-o entrar no top5 dos filmes mais vistos esta semana em Portugal. Preparada por Raúl Ruiz, que faleceu antes de iniciar as rodagens, a película foi realizada por Valeria Sarmiento, que trabalhou ao lado do realizador inúmeras vezes.



Como os próprios actores já referiram em entrevistas, esta não é uma história sobre a Guerra, é sobre as pessoas. É um retrato de indivíduos que viveram momentos decisivos da história da Europa, construindo cada etapa. E é assim que nos fazem ver este retrato, por etapas e por núcleos de personagens  que acabam por se encontrar, cada um com a sua história para nos contar. Cada uma permanece mais ou menos misteriosa, mais ou menos activa na narrativa, entretendo o espectador de diferentes formas, o que torna a visualização rica.



  

 
 




A nível de fotografia, vemos imagens magistrais, através da mão de André Szanwkowski. Cada plano é um retrato autêntico, com vida mas movimentando-se em câmara lenta. A caracterização é exímia, sabendo eu que existiu uma grande equipa para tornar reais fardamentos, vestes, acessórios, tudo para ser fiel à estética da época.



Mas para mim o que é melhor em Torres de Wellington é ver a comunhão entre Portugal, Espanha e França, a comunhão de equipas mas sobretudo, do mais evidente, a comunhão de actores. Qual o actor jovem português que não se sentiria honrado por trabalhar na mesma obra que John Malkovich ou Catherine Deneuve? Entre os jovens actores portugueses destaco Victória Guerra, que mostra a sua versatilidade numa personagem caricata e divertida, falando um inglês perfeito, o que poderá que este filme poder-lhe-á abrir muitas portas no cinema internacional. Também Joana de Verona impressiona, sendo para mim a protagonista da cena mais forte do filme, onde apenas a ouvimos e temos como imagem o rio.


Agora espero pela edição especial que será transmitida na RTP1 e que contará com mais minutos em formato de mini série. Talvez nesta edição possamos ver mais dos actores de renome internacional e dos fins de algumas personagens que ficaram em aberto.

23 de agosto de 2012

The Door in the Floor | Décor

O drama de 2004, realizado por Tod Williams, passa-se num ambiente de praia algo sofisticado, pois embora a aura que se viva pareça de férias, as casas onde a narrativa se desenrola são de residência fixa, santuários de memórias nostálgicas.
Este ambiente mistura componentes sofisticadas com casuais, descontraídas com tensas, superficiais com profundas, fazendo do décor do filme algo belo e intemporal.

Direcção Artística | Nicholas Lundy
Decoração do Set | Nick Evans











The Breakfast Club | Posters

O teen movie de culto inspira até hoje artistas gráficos que criam novos posters da história. Aqui ficam alguns exemplos:

Matt Owen
 



Daniel Norris