16 de novembro de 2011

Ondine

Ondine é um filme de Neil Jordan que data o ano de 2009. A trama passa-se na Irlanda actual e tem Colin Farrel e Alicja Bachleda como protagonistas.


Contado como um conto de fadas do século XXI, onde Syracuse (Farrel) é um azarado pescador a quem a vida tem sido madrasta: tornou-se alcoolico, deixando o vício e separando-se da mulher, também alcoolica, para cuidar da sua filha Annie (Alison Barry) que sofre de insuficiência renal.


Num dia de pesca comum, o pescador depara-se com uma misteriosa mulher na sua rede, da qual cuida e promete que ninguém saberá da sua existência. A partir desse instante a sorte de Syracuse muda, começando a capturar mais peixes devido à presença e ao canto da misteriosa mulher, Ondine (Bachleda). A princípio o pescador apenas partilha a sua história com a filha, fingido ser mais um dos contos de fadas que lhe costuma inventar. Mas Annie não é uma criança comum, sendo suficientemente inteligente para compreender que a história é real. Assim, a menina pensa que a misteriosa mulher não é mais que uma selkie. Selkies são mulheres dos mares na mitologia escocesa, que têm o dom de tornarem tudo melhor, logo Annie pensa que Ondine tem poderes mágicos que podem melhorar a sua vida e a do seu pai.



A partir do momento em que Ondine começa a ser descoberta pelos nativos da ilha, a escuridão assombra esta história, mudando bruscamente o decorrer de toda uma história bela e luminosa. As problemáticas sociais são quase esquecidas devido à abordagem leve que Neil lhes concedeu, e tal não é tido como despreocupação, mas sim como evidência do principal enfoque: modernizar uma lenda e mostrar o amor das três personagens centrais. Posso até considerar a abordagem ao tráfico de narcóticos algo inesperada e desadequada, ou simplesmente tida como quebra da narrativa fantasiosa vista até então.



As imagens foram captadas pelo director de fotografia Christopher Doyle, que ora nos transmite toda a leveza de uma paixão inesperada, como as trevas de um desconhecido ilusório, tudo isto num jogo de luz e sombra muito bem conseguido. Obviamente que as paisagens verdejantes e marítimas das ilhas irlandesas ajudaram em muito, mantendo-se ao longo do filme um registo de terra pouco explorada industrialmente pelo homem, mantendo assim uma aura mística.


Destaque para a banda sonora que fica explicitamente a cargo de Sigur Ros e para o guarda roupa que determinada inteiramente a personalidade das personagens.

Sem comentários:

Enviar um comentário