20 de fevereiro de 2014

HER | A razão que me fez voltar aqui


Fiz uma pausa gigante de blogs... e de filmes. Dediquei-me meses a fio a séries e a tentar não levar nada do que assistia a sério. Fiz há poucos dias um retorno às películas com Philomena numa tentativa de me pôr a par dos nomeados para os Óscares... Gostei mas não me encantou. Seguiu-se Her, que parecia ser mais o meu género de filme. E tanto o é que me fez voltar aqui, onde tanto já escrevi sobre aquilo que me faz feliz audiovisualmente.



Spike Jonze fez uma obra prima, na minha opinião, que poderá servir de caso de estudo em muitas aulas de Sociologia por este mundo fora. O fundo espacio-temporal é futurisa, numa era em que se sente a continuidade das influências retrospectivas. Não sabemos o ano, não sabemos quanto tempo realmente separa o agora do dia em que Theodore (Joaquin Phoenix) se apaixona pelo seu sistema operativo (Scarlett Johansson). Mas as questões levantadas são tão contemporâneas que nem nos soam a ficção científica... Importância das tecnologias no quotidiano, adição, definição de amor, solidão, virtual VS real, homem VS máquina. Pegamos nas mensagens de Her, desconstruímos e tomamos cada deixa como explicatória destes temas. Seria completamnete possível.

Vemos um homem como exemplo de uma sociedade inteira que se vai deixando engolir por uma espiral de solidão tecnológica. Cada indivíduo a falar "sozinho" pelas ruas, cada um a olhar para os seus próprios passos, cada um a jantar consigo mesmo, a divertir-se com aparelhos que lhes permitem mais serem eles mesmos que outros seres humanos.




Her são 126 minutos de reflexão profunda sobre o nosso comportamento. São 126 minutos de excelente fotografia e banda sonora. São 126 minutos de Phoenix a encarar, quase sempre, "sozinho" a câmera e a desempenhar um Theodore tão genuíno, sem qualquer apoio de contracena. São 126 minutos em que a voz de Johansson me leva a reflectir acerca da minha opinião dela enquanto actriz, pois mesmo sem estar fisicamente presente, enche o papel de Samantha de vida e faz-nos crer, do lado de cá do ecran, que esta relação faz algum sentido. É esta meia presença de Samantha que faz o filme viver, que o faz existir. 

O que aconteceria, nas vidas reais, se o desfecho de Her acontecesse a cada um de nós amanhã?


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