23 de janeiro de 2016

Joy


Este filme colocou-me uma questão: Se fosses tu o que farias?
Há uma sensação na vida a que eu chamo "saltar da prancha de uma piscina". Descrevo-a como o exacto momento em que estás lá em cima, bem alto e com vertigens, sem conseguires decidir se saltas ou desces, se arriscas ou desistes. E do teu fundo vem uma coragem repentina, um frio na barriga, que te faz arriscar e saltar lá bem do alto. Este filme é esta sensação, esta força e adrenalina.
Spoiler Alert

Os principais momentos em que esta sensação acontece no filme são quando Joy desliga o telefone... (salta da prancha de uma piscina) e quando assina bancarrota... (salta da prancha de uma pisicna). Mostra-nos uma flexibilidade e inteligência tão profundas, quase super humanas. A história de é um exemplo de persistência, confiança e determinação, a prova de que se acreditares em ti ou num projecto consegues grandes resultados. Estas histórias merecem ser contadas em vida, chega de homenagear quem já partiu.


Por isso louvo o facto da verdadeira Joy Magano ser produtora executiva do filme,continuando a alimentar os seus sonhos e o seu império, sem falsas modéstias, tal como no retrato cinematográfico. Se reflectirmos acerca disto percebemos o porquê de nas cenas finais a empresária parecer tão distante de Neil (Bradley Cooper), quem lhe deu a oportunidade de lançar o seu produto nacionalmente na TV. Em primeiro lugar nunca lhe foi intima, sempre teve uma postura segura, independente e assertiva. Esta heroína foi construída sem um pingo de carência afectiva, cortando qualquer possibilidade de romance. Seria muito fácil para o realizador cair neste erro, mas os planos para Joy estiveram sempre bem definidos.

A prestação de  Jennifer Lawrence é boa, cumpre os requisitos. Diz isto quem não se deixou convencer pela sua Tiffany em Silver Linings. Este ano, com um papel oferecido novamente por David O. Russel, Lawrence, na minha opinião, teria mais direito à estatueta. Bradley Cooper passa para segundo plano numa história sobretudo feminina e onde o foco masculino recaí em Robert De Niro e em Édgar Ramírez. Vemos ainda Melissa Rivers prestar um bonito tributo à mãe, Joan Rivers.

A imagem e guarda-roupa estão bem trabalhados, os detalhes presentes a fazerem-nos perceber que isto é um filme a sério. Ajudam a querer assistir mais num início estranho e pouco comum na cinematografia americana, com uma narração pouco sugestiva e os flashbacks consecutivos. No fim saímos com um sorriso.

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