12 de setembro de 2010

Savage Grace

Baseado no livro homónimo de Natalie Robins, a película dirigida por Tom Kalin, datada de 2007 conta- nos a história verídica da família Baekeland, focando a relação peculiar de mãe e filho.


Julianne Moore faz de Barbara Daly Baekeland, uma socialite, ex- manequim e aspirante a actriz, casada com o empresário Brooks Baekeland que é aqui interpretado por Stephen Dillane.
A trama inicia- se nos Estados Unidos da América, sendo- nos mostrada a vida do casal e do bebé Tony. Barbara adora conviver com membros da elite ao contrário de Brooks que frequenta os meios sociais com intuito de satisfazer os caprichos da mulher.


Voamos temporalmente e vemo- nos em outro cenário, Paris na década de 1960. Tony é um jovem rapazinho que se aproxima muito mais da mãe que do pai, revelando desde cedo um carácter sensitivo. O rapaz cresce e torna- se num adulto bem parecido, Eddie Redmayne, que desperta a atenção de homens e mulheres durante as férias familiares em paisagens mediterrâneas.


É nesta fase do filme que se inicia a ruptura do casal e Tony assume inteiramente a sua homossexualidade. Consequentemente a relação com a mãe adensa- se pois ele vive para apoiá- la numa fase de decadência psicológica, social e monetária que a leva a uma tentativa de suicídio.
Mãe e filho acabam por partilhar sofrimentos, paixões e angústias.


Um dos elementos chaves deste filme é a adaptação de caracterização, guarda- roupa e cenários a diferentes locais do globo. Ou seja, nos E.U.A. vemos uma casa luxuosa, requintada e sóbria, que acaba por ser uma alegoria ao modo de vida dos Baekeland. Enquanto que em França Tony exibe- se na primeira cena com um clássico look parisiense e a habitação da família é mais iluminada e não tão conservadora.


Mas é na moradia decadente de Barbara e Tony que residem mais detalhes visuais, como os quadros de naturezas mortas, a tinta das paredes a descascar, os jardins mal cuidados e sobretudo o anexo em que o jovem vive com o namorado, que mais se assemelha a uma gruta e reflecte inteiramente a personalidade do casal que tenta que Barbara não interfira na aura do espaço.



Mais tarde, já em Londres, Tony aparenta um amadurecimento, como se se tivesse tornado o homem da casa e não o adolescente revoltado em busca do regresso do pai. Torna- se clara a relação incestuosa entre ele e Barbara, que padece de uma carência disfarçada de preocupação pelas escolhas sexuais do filho. É aqui, na recta final que tudo se adensa e algo terrível acontece.

Eddie Redmayne é carismático na sua languidez, traz luz à película com uma ecelente interpretação.
A veterana Moore surge aqui num papel emblemático na sua carreira, a meu ver. Chamou- me particularmente a atenção neste registo dramático, que não sendo uma estreia para Julianne, foi a primeira vez que a presença da actriz num filme me agradou na totalidade.

2 comentários:

  1. detesto ver criticas a filmes. Principalmente quando se tenta descrever por palavras o que a imagem do filme demonstra e se desconstrói ou se aprofunda certos aspectos do mesmo. Pessoalmente gosto de apreciar um filme sem olho analítico, não por ignorância, mas para dar mais ênfase à sensação. Talvez por ser um rapaz emotivo. De certa forma a descrição das expectativas que se tem de um filme e as circunstancias em que o vemos ajuda a perceber a sua crítica.

    Não leves este comentário como uma critica. Foi apenas um desabafo. Continua a fazer o que te dá gosto. Diferentes vivências, diferentes personalidades, diferentes perspectivas...a diferencia é algo que me agrada...

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  2. não levei a mal, é a tua opinião.
    eu gosto de falar dos filmes, de analisar as imagens visuais, pois é o que mais gosto nos filmes: as ambiências, a caracterização, o guarda- roupa!
    normalmente vejo filmes sem pensar no que vou escrever sobre eles ou se o farei, só passado algum tempo é que o refiro aqui, me relembro do que mais me marcou.

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