2 de setembro de 2010

Candy

Sim, mais uma história de amor.
Desta vez a três.

O filme australiano de 2006, adaptação do romance de Luke Davies, por Neil Armfield, tem como protagonistas Heath Ledger como Dan e Abbie Cornish como Candy.


Tal como o subtítulo do romance de Davies, esta é uma história de amor e adição, Candy, Dan e a droga. Candy apega- se ao estilo de vida do namorado, querendo experimentar tudo o que ele experimenta. Na verdade apegam- se um ao outro sofregamente, vivem sofregamente, o mundo pertence- lhes, pelo menos, o seu próprio mundo.

A trama é dividida em três fases: Paraíso, Terra e Inferno. O Êxtase, a Realidade e a Destruição.
Assistimos de início a um conto de fadas moderno, em que as personagens vivem de um modo boémio e transparente que acabamos por invejar.Candy afasta- se da família, que já não tem qualquer prioridade para si a não ser o dinheiro que lhe vai emprestando. O único símbolo familiar que reconhecem é Casper, interpretado por Geoffrey Rush, um professor viciado que fabrica estupefacientes.


O casal precisa de dinheiro e ela começa a prostituir- se. É aqui revelado o egoísmo e a inércia de Dan que nada faz para alimentar o vício em comum. Vendo a mulher que ama subjugada, encontra uma forma de arranjar mais dinheiro.

A intensidade das cenas é uma constante, sobretudo a gravidez da jovem e a consequente tentativa de reabilitação do casal. Vemos os dois em agonia, numa série de planos que rasgam por dentro. O bebé nasce precocemente, morto, para desespero de Dan e Candy.

O declínio do casal é prevísivel, mesmo após a tentativa de recuperar uma vida sã no campo. Desta vez é Candy que apresenta um alto nível de egoísmo, enquanto Dan mantém um trabalho e se mostra paciente para as crises de raiva e desdém da esposa.
Destaco também as cenas finais em que Candy escreve uma carta peculiar ao amado, o texto é tocante e floriado, mesmo que de uma forma negra.


Abbie Cornish foi uma boa estreia para mim neste filme. Ao lado do malogrado Ledger faz um papel belíssimo, cheio de frescura e decadência mas sempre dona de uma beleza frágil de menina.


Heath é uma mais valia no filme. Não apenas por já ser uma cara conhecida do público mainstreem , mas devido à sua actuação sempre primorosa, como sempre nos habituou.


A fase "Heaven" é com certeza inspiradora visualmente, contendo a meu ver das melhores imagens filmadas, como é o caso dos namorados numa centrifugadora vertical, a nadarem ou de Candy na banheira em overdose.


Conseguiram com toda a certeza passar- nos das melhores e das piores sensações nesta película. E sobretudo revermo- nos em algumas cenas.

1 comentário:

  1. Oi,
    Eu amei esse filme e estou tentando encontrar a tradução da última carta de Candy para Dan. Por acaso vc sabe a tradução? Beijo

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