7 de fevereiro de 2011

Annie Hall

Na minha opinião esta deveria ser a comédia romântica standart para todas as outras, como que de uma inspiração principal se tratasse. O filme de Woody Allen data de 1977 e consagrou-se como melhor filme nos Óscares desse ano. A aparente simplicidade de um argumento, também ele vencedor, leva-nos ao encontro do humor peculiar a algo negro de Allen, que serve de pano de fundo aos diálogos e monólogos das personagens.


Todo o texto é inteligente e quase sempre caótico, mostrando as divergências entre Annie- Diane Keaton, Óscar de melhor actriz neste filme- e Alvy- Woody Allen. Estas divergências passam pela sexualidade do casal, carreira, gostos, fobias e trivialidades. São estas divergências que colidem e fazem o amor se desenrolar, passando por todos os percalços, destruindo-se.


Alvy tem uma personalidade principalmente neurótica-Woody Allen coloca sempre muito de si nas suas personagens-, enquanto que Annie é ainda uma jovem influenciável que não sabe bem que rumo dar à sua vida. Mas acaba por ser ela a encontrar uma independência inusitada, seguir a carreira de cantora que Alvy apoiava.


Mostram-nos um comediante que pode ser visto como uma personagem-tipo, um nova iorquino muito ligado à cidade, centrado nos seus problemas, viciado na terapia, que ele próprio admite não surtir efeito. Esta alusão à cidade de Nova Iorque e aos seus habitantes contrasta com a vida em Los Angeles; este contraste representa bastante a cultura americana na época, que divergia entre estes dois universos muito distintos e que acabavam por competir. Talvez por ser um retrato daqueles tempos, esta película ganhou um cariz pop de grande dimensão, projectanto e estabelecendo Allen no mundo do cinema.


No fim assistimos ao amadurecimento de Annie Hall e à estagnação de Alvy, visto permanecer com muitas das suas neuroses e somar mais um "divórcio". Este género de desfecho relembra-me o filme 5OO Days of Summer, algo inesperado e nada "amorosamente correcto". Comédias romanticas têm de trazer uma mensagem mais densa que o típico "... e viveram felizes para sempre...", para que fiquem na memória durante 30 anos. Na verdade esta história é completamente actual, personificando as relações dos dias de hoje.


Fica na memória uma Diane Keaton muito jovem e cheia de vitalidade ingénua e curiosa, que deu corpo ao estilo muito 70's, homónimo ao filme.

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