16 de setembro de 2015

Ultimo Tango a Parigi


Sendo The Dreamers um dos meus filmes favoritos era inadmissível não conhecer mais nada do seu realizador, Bernardo Bertolucci. Last Tango a Parigi foi uma escolha óbvia, é o filme mais conhecido dele e também várias vezes recomendado por amigos. Não conheço bem o trabalho de Marlon Brando (só vi A Streetcar Named Desire) e deparo-me com algo que não gosto na minha geração, usamos estes ícones enquanto elementos estéticos a favor da nossa inspiração mas não aprofundamos o conhecimento da sua obra. Se The Dreamers é feito com candura e languidez sob uma superfície dura, o Last Tango é exactamente o oposto, frio e sistemático sob uma base delicada.

O filme deu que pensar principalmente porque fui com uma ideia muito mais romântica do que aquilo que me esperava. Tiro uma leitura da história que se centra na ingenuidade, no poder de não saber, um poder que tantas vezes admiro. A inocência é explorada directa e indirectamente. Directamente: Jeanne (Marie Schneider) é uma jovem confiante, ainda verde nas suas experiências de vida, que tem de aceitar o mistério de se envolver com um desconhecido que com ela não quer partilhar nada acerca da sua vida e que a proíbe de o fazer também. Indirectamente: Paul (Marlon Brando) é um homem que se apresenta seguro em frente da sua amante mas que se deixa levar pelas emoções de uma maneira quase infantil.

Chegamos quase ao fim com uma reviravolta estranha que nos cria um nó no estômago e faz interrogar Paul mas ao mesmo tempo ter-lhe uma compaixão gigante.

O décor, guarda-roupa e imagem (Vittorio Storaro)são admiráveis, como eu esperava, portanto motivo válido para este ser um filme artisticamente de culto.

Brando repete traços violentos que vi em Streetcar e faz-me pensar se será coincidência ou se dos anos 50 aos 70 a figura masculina era sempre representada como machista, forte e agressiva. Será o menino bonzinho, apaixonado e, por vezes, até lamechas de mais apanágio dos nossos dias e fruto de uma sociedade que quer igualdade e que desmistificou o homem enquanto ser sentimental? Claramente tenho de mergulhar nos clássicos.

6*/10*

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