9 de outubro de 2015

The Intern


Realizado por Nancy Meyers, uma especialista das fórmulas delicodoces de cinema, The Intern marca pela contemporaneidade e pela abordagem pouco cliché à temática geriatria. Ben (Robert De Niro) é um septuagenário cheio de energia, optimismo e vontade de aproveitar os seus últimos anos, mesmo após a viuvez.  Ao começar a enfadar-se da vida de reformado resolve candidatar-se a um programa de estágios sénior. A empresa de e-commerce vai na onda hipster e pertence à jovem Jules (Anne Hathaway), uma empreendedora que pedala por entre mil tarefas e dilemas que tem de resolver.



A personagem de Ben afasta-se dos idosos até aqui apresentados por Hollywood: rezingas, teimosos, tristes. Ele é feliz, aberto a novas oportunidades e conquistas e um defensor da igualdade de género! É bastante respeitado por todos os colegas e torna-se essencial à vida dentro e fora do escritório. Será que este tratamento de confiança, respeito e amizade para com os mais velhos existe mesmo na vida empresarial real? Era bom que sim e por isso aplaudo esta visão bem optimista. A visão da realizadora passa ainda por satirizar algumas das características dos jovens millennials, em comparação à personagem de De Niro, género descobre as diferenças passado-presente.


Ainda em relação à igualdade de géneroo: é explorada (demasiadas vezes) ao longo dos 121 minutos também pela boca de Jules, que vive entre o orgulho de ter construído uma carreira poderosa e os remorsos de não passar mais tempo com a sua filha e marido, agora um stay-at-home-dad. O tema do feminismo, que tem estado por todo o lado, é explorado até à exaustão aqui. Basta-nos ir absorvendo o dia-a-dia da empresária para percebermos a batalha das mulheres no sector profissional, por isso já não conseguia aguentar mais uma tirada sobre isso. Mas Jules é assim, excessiva.

Gostei que surgissem actores das minhas séries, como Anders Holm (Mindy Project), Andrew Rannells (Girls) e o carismático Adam DeVine (Modern Family). Este último, arrisco-me a dizer, será um dos grandes nomes da comédia a seguir e deixará de fazer apenas participações secundárias. Outra admirável surpresa foi a estreia da pequenina Emma Angstadt, que a mim me parece também promissora. Muitas vezes disse que não gostava de Anne Hathaway... Continua a não ser uma das minhas actrizes top mas cheguei à conclusão que já vi muitos, muitos filmes com ela no papel principal... Algo acaba por bater certo nela, nem que seja o carisma completamente comercial que tem. 


O filme é, na minha opinião, demasiado longo para a história que Meyers nos quer contar. Cenas mais cómicas pareceram-me dispensáveis e só serviram para piorar o filme. Quem está à espera de um género Devil Wears Prada engana-se em manter esses alentos. 

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