24 de julho de 2011

Sexualidades

A Soap, título original, é uma comédia-dramática dinamarquesa de Pernille Fischer Christensen, que data o ano 2006 e que arrecadou o Urso de Prata- Grande Prémio do Júri Melhor Primeira Obra, no Festival de Berlim.


Charlotte (Trine Dyrholm) acaba a relação com o seu namorado e muda de casa. Conhece a sua vizinha Verónica (David Dencik), um transexual que vive isolado no seu apartamento, tendo como única companhia o seu fiel cão. Enquanto isso, Charlotte vive de relações furtuitas e efémeras.


O fascínio entre as duas personagens cresce, existindo mais que envolvência física. Os géneros confundem-se e baralham-se , assim como as opções sexuais de Charlotte e Verónica, que vivem um romance atribulado e que balança entre a amizade e a paixão.

Nada nesta história de amor pretende ser mais do que aquilo que é mostrado, a envolvência de dois seres frágeis que encontram força em si mesmos e no companheiro. É de louvar as prestações dos dois actores, que interpretam complexos personagens que facilmente seriam alvo dos mais extremos preconceitos, principalmente no caso de David.


O ritmo é lento, lânguido até, deixando-nos na expectativa de uma narrativa mais intensa que dificilmente faria sentido neste argumento dinamarquês. A quase inexistência de banda-sonora frisa a languidez com que o filme tem de ser visto e vivido, pois trata-se do dia-a-dia das personagens, da sua realidade que depressa se pode comparar à do expectador.

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