21 de abril de 2011

Io Sono L'amore

I Am Love é uma película dirigida pelo italiano Luca Guadagnino, do ano de 2009 cuja história se desenrola em torno da família Recchi, pertencente à classe alta de Milão, com especial enfoque na em Emma- Tilda Swinton. O filme é um projecto do realizador e da actriz que levou onze anos até vera luz do dia.


É no jantar de aniversário de Edoardo- Gabriele Ferzatti, o membro mais velho da família e director da fábrica da família, que este dá a conhecer aos restantes membros uma decisão que havia tomado quando decidiu retirar-se dos negócios familiares.

Esta cena leva-nos a conhecer Edo- Flavio Parenti- e através dele o que seria suposto aquela família ser, um exemplo de dignidade, tradições e valores. Consequentemente vemos tudo o que a família não é.


I Am Love tem sido falado em importantes e influentes sites de tendências, não só artísticas mas também sociais, o que me leva a crer que muito do que se passa ao longo de quase duas horas é o retrato exacto da nossa sociedade. Desde às opções sexuais, ao encontro com a Natureza, à procura de uma paz e prazeres que nos tragam felicidade, tudo é retratado de modo exímio.

Swinton contracenando com Alba Rohrwacher, que interpreta o papel de sua filha Betta


Emma e Edo


E este retrato é sobretudo visual, conseguido através de planos fechados, que nos mostram pormenores que tantas vezes são esquecidos, mas que tornam tudo mais belo. A técnica de focagem, ou da inexistência desta, torna tudo mais real, mais perto do que os nossos olhos estão acostumados a ver. A fotografia ficou a cargo de Yorick Le Saux. Tanto a mestria da manipulação de imagens como a história são uma ode à gastronomia italiana e russa, que são pano de fundo para que se desenrolem as cenas.



Destaco a cena em que Emma está degustando um prato de camarões no restaurante de Antonio- Edoardo Gabbriellini- e a perseguição que ela lhe faz em Nice. Ambas as cenas mostram-nos muito do que Emma é, uma russa que teve de se tornar italiana e deixar as suas raízes para trás, que mudou de nome e esqueceu o dela, que construiu uma família e um lar que muitos invejariam, que defende e compreende os filhos colocando a felicidade deles como prioridade. Mas Emma também é uma mulher carente e algo submissa àquela família, que necessita de se sentir valorizada por aquilo que é e não pelo que tem de aparentar.


Após ver o filme fui ver o trailler e senti-me aliviada por tê-lo feito nesta ordem. Se ao longo do filme consegui prever o que adensa a trama, no triller tal é demasiado exposto.

Todas as histórias têm uma moral, esta diz-nos que o dinheiro traz felicidade, mas não a traz por inteiro e tornou-se num dos meus filmes de eleição, para ver e rever. As nomeações ao Óscar de melhor filme estrangeiro e melhor guarda-roupa, a cargo de Antonella Cannarozzi. Esqueceram-se da nomeação de melhor actriz pelo desempenho de Tilda, que para além de falar italiano e russo tem uma actuação brilhante.

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