24 de abril de 2011

Somewhere

O quarto filme de Sofia Coppola ficou aquém das minhas expectativas, podia ter mais ritmo e esperava algo mais magistral em termos de fotografia. Não vemos aqui um grande filme como Lost in Translation, nem cenas visualmente fortes como em Marie Antoinette. Coppola cria uma ilustração do que é a solitária vida de um actor de Hollywood, Johnny Marco, interpretado por Stephen Dorff.


A trama desenrola-se em grande parte no hotel Chateau Marmont, residência de Johnny, onde recebe inúmeras mulheres e dá festas. Mas o que se poderia pensar de uma vida de estrela de cinema nestas condições cai por terra, o actor tem um dia-a-dia aborrecido, nada tem que o preencha, chegando ao cúmulo de contratar bailarinas gémeas que fazem coreografias temáticas até ele adormecer.


Esta rotina só se quebra com as esporádicas visitas da sua filha Cleo- Elle Fanning, até que uma destas visitas acaba por se tornar numa estadia por tempo indeterminado. Cleo tem onze anos e uma enorme maturidade, contrastando com a personalidade do pai. Demora um pouco para percebermos se Johnny realmente está a gostar da companhia da filha ou se preferiria a sua antiga vida de boémio, talvez por ele mesmo ainda estar a perceber o que prefere. Mas logo se torna óbvia a estreita relação que constroem e a posterior tristeza quando a filha vai embora.


Johnny tem de conviver novamente com a solidão escondida, até que toma uma decisão que o levará para outro lugar, onde talvez possa ser feliz.


A história, de facto poderia estar melhor contada, os actores são bons, mas as personagens não são suficientemente ricas. A banda sonora é actual e de óptima qualidade, mas escasseiam os diálogos que nem contrastam com imagens sugestivas.


Elle Fanning revela-se neste filme, sendo alvo de inúmeros elogios de Coppola, que a retrata como instintiva e cheia de vida. Elle iniciou a sua carreira ao lado de Dakota, sua irmã mais velha, fazendo de sua dupla, mas já tem alguns filmes "a solo" no seu curriculo, como O Estranho Caso de Benjamin Button. Ao lado de outras actrizes da sua idade está a criar uma nova geração de boas intérpretes e já se tornou num dos rostos da Rodarte, a marca sensação do mundo da moda americano e internacional, de momento. Ver a curta-metragem aqui.

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