3 de agosto de 2011

Good Bye Lenin

Wolfgang Becker inspirou-se directamente nos acontecimentos históricos que marcaram para sempre a Alemanha e toda a Europa, a queda do muro de Berlim e a unificação das zonas Ocidental e Oriental. O nosso herói é Alexander (Daniel Bruhl), um jovem que em criança sonhava fazer parte da conquista espacial do seu país, e que, em adulto se vê a reparar televisores.



Após o misterioso desaparecimento do marido, Christiane (Katrin Sass) torna-se uma activista democrática, educando Alex e Ariane de forma a incluí-los nos seus ideais. Mas incutir nas crianças estas ideias é fácil, difícil é quando crescem e descobrem aquilo pelo qual querem lutar.


Desta feita Alex, numa noite junta-se a manifestações contra o regime, onde é visto por Christiane que acaba por desmaiar e entrar em coma. Passados oito meses acorda, sem saber que o muro caiu. O seu estado é frágil e como tal Alexandre obriga toda a família e vizinhos a compactuarem num verdadeiro teatro e fingirem que nada mudou durante o sono da mãe.


Como seria a vida neste país dividido há tão pouco tempo atrás? Como evoluíram num ritmo alucinante? Como vivem tantos jovens, ainda hoje, em países cujos sonhos são constantemente adiados, devido à política administrada? Antes e após qualquer revolução o povo nunca encontra unanimidade, há famílias que perdem bens, estatutos, outras que se elevam, que adquirem maior poder de compra. O mundo e o país justo e ideal para todos os cidadãos não existe. Mas Alexander tenta uma aproximação a essa utopia com as mentiras que vai contando e mostrando à sua mãe, construindo uma história de paz e respeito entre as duas metades de um país.



A aclamação por este retrato da queda do muro de Berlim foi imensa, acabando por ser nomeado para Globo de Ouro na categoria de melhor filme estrangeiro. Mas não foi a pintura criativa desta temática que Becker soube melhor fazer, o realizador mostrou amor, devoção, valores familiares. Sobretudo entre filho e mãe, visto que Alex tudo faz para redifinir os aspectos históricos, a fim de Christiane suportar as novidades e manter-se viva.


As prestações de Sass e Bruhl são as de maior destaque, seguindo-se Maria Simon, que interpreta Ariane, que parece apenas se preocupar consigo e com a sua bebé, mas que se revela uma filha preocupada e altruísta. O realizador criou diversas metáforas políticas através dos seus personagens e enredos, mostrando-nos um estado fragilizado, em que a mentira imperava. Christiane acaba por representar o seu próprio partido, um partido doente e débil, que a qualquer momento se poderá desvanecer.


Destaque para a fotografia que ajudou a gostar ainda mais desta história.

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